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JP na EstradaTensão persiste na cidade em que o prefeito foi cassado três vezes

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29 de agosto de 2010

BATALHA JUDICIAL NO MÉDIO MEARIM

Oposição acusa coronel reformado Francisco Rovélio (PV) de instalar em São Mateus política de intimidação inspirada na ditadura militar

POR OSWALDO VIVIANI

Perto de completar 49 anos de sua emancipação política, o município de São Mateus – tristemente famoso na década de 90 por abrigar o Projeto de Irrigação Salangô, um megafracasso dos governos Edison Lobão e Roseana Sarney –, hoje volta a ser destaque no cenário maranhense (e talvez nacional) como a cidade em que o prefeito já foi cassado três vezes depois de eleito, em 2008, mas continua no cargo graças a seguidas decisões do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA) reconduzindo-o. Francisco Rovélio Nunes Pessoa é acusado de contratar e demitir servidores no período vedado pela legislação eleitoral; de distribuir combustível e camisetas com a cor e o número de seu partido (PV, 43); e de comprar votos, entre outros ilícitos eleitorais.

O “coronel Rovélio”, como ele gosta de ser chamado, por ser coronel reformado da Polícia Militar, resistiu às sentenças condenatórias de três juízes diferentes, além dos pareceres, desfavoráveis a ele, de duas procuradoras eleitorais (regional e geral), uma promotora eleitoral e um juiz relator do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão.

Aliado do grupo Sarney, Rovélio tem sempre recorrido das cassações, até agora com sucesso, na Corte regional. “Vou ganhar todas as ações [existem três] no TRE e se for para o TSE aí é que eu vou ganhar mesmo”, declarou o confiante Rovélio numa entrevista gravada em vídeo que foi parar no portal YouTube.

Na mesma entrevista, concedida a correligionários improvisados como cinegrafistas, durante a comemoração de sua última recondução ao cargo pelo TRE, no início deste mês, Rovélio abriu o verbo contra a “incompetência de uma juíza que desconhece o processo” e a acusou de “bagunçar as leis”. Referia-se à juíza Ana Gabriela Costa Everton, da comarca de São João Batista, autora da mais recente sentença de cassação do prefeito, proferida no final de julho.

Já os políticos que fazem oposição ao ex-militar em São Mateus acham que quem está “bagunçando” é Rovélio. “Ele instalou em São Mateus uma política de intimidação inspirada na ditadura militar”, diz Hamilton Nogueira Aragão, o “Miltinho” (PSB), que perdeu a eleição para Rovélio em 2008 por apenas 22 votos.

Advogado e autor de todas as ações visando cassar a diplomação do prefeito, Miltinho afirmou que, depois que foi reconduzido pela terceira vez ao cargo de prefeito, Rovélio comemorou com provocações ostensivas aos seus adversários em suas próprias casas, protegido por seguranças vestidos de “ninjas” que trouxe de fora do estado.

“Também mandou espancar um jornalista, exibiu uma arma para um comerciante do nosso grupo político e cometeu crime de racismo ao chamar de ‘negrinha’ uma professora da rede pública que é contra ele”, denunciou Miltinho.

O prefeito Rovélio negou todas as acusações. “É perseguição”, disse ao JP na Estrada por telefone. “O Miltinho já perdeu seis eleições e eu estou no terceiro mandato como prefeito”, completou.

A reportagem do JP esteve em São Mateus nos dias 7, 8 e 9 deste mês e constatou o clima de tensão que persiste na cidade desde o anúncio da contestada vitória nas urnas do “coronel Rovélio”.

Uma semana antes da chegada da reportagem, temeu-se pela repetição dos atos ocorridos em 7 de outubro de 2008, logo após o anúncio da vitória de Francisco Rovélio, em que três prédios públicos de São Mateus foram depredados – dois deles incendiados.

No dia 31 de julho passado, manifestantes ligados à oposição fecharam a BR-135, tentando criar uma pressão popular que inviabilizasse uma nova decisão do TRE recolocando o ex-militar na cadeira de prefeito, após sua terceira cassação em 27 de julho. Não adiantou: no dia 3 de agosto, o juiz eleitoral Magno Linhares “cassou a cassação” do prefeito e ele retornou ao cargo.

“Se houver uma quarta decisão judicial pela cassação e ele for novamente reconduzido ao cargo, pode acontecer coisa pior do que o que houve depois da eleição”, previu um comerciante mateuense.

Pior do que o clima de tensão é perceber que, em consequência da disputa política, e embora o prefeito negue, a cidade – que abriga mais de 23 mil excluídos sociais – foi praticamente abandonada e os problemas de infraestrutura se multiplicam.

Buracos e esgotos a céu aberto tomam conta da importante Avenida Rodoviária e outras ruas vicinais da sede; moradores da Vila Brasil e da Vila Barreto se martirizam com a falta d’água; a população dos povoados, como Juçareira, Lago Verde, Jiquiri e Laje do Curral, permanece esquecida pelo poder público; e a importante ponte do Piqui, sobre o rio Tapuio, dá mostras de que não vai resistir às próximas chuvas.

São Mateus apresenta-se, assim, como mais um caso em que – a exemplo de Serrano do Maranhão, município da Baixada Ocidental maranhense também visitado pelo JP na Estrada – os cidadãos são os que mais sofrem com a indefinição política resultante de uma acirrada batalha judicial.

Saiba MAIS

São Mateus tornou-se município pela Lei Estadual nº 2170, de 26 de dezembro de 1961. Foi desmembrado de Coroatá e Bacabal.

Gentílico: são-mateuense ou mateuense

População: 38.045 (Censo IBGE de 2007)

Índice de Exclusão Social: 60,62% (mais de 23 mil pessoas; Mapa da Exclusão Social, de José Lemos)

Total de recursos federais recebidos pelo município em 2009 e 2010: R$ 55,8 milhões

Total recebido do FPM (2009/2010): R$ 14,3 milhões

Total recebido do Fundeb (2009/2010): R$ 15,1 milhões

Prefeito: Francisco Rovélio Nunes Pessoa (PV), 58 anos, coronel da Polícia Militar reformado, Ensino Superior completo, natural de São Mateus

Valor dos bens do prefeito declarados à Justiça Eleitoral: R$ 783,7 mil (veja detalhes na pág. 2)

Vice-prefeito: José Maria Teixeira Plácido (DEM), 52 anos, motorista de caminhão, Ensino Fundamental incompleto, natural de São Mateus

Valor dos bens do vice-prefeito declarados à Justiça Eleitoral: R$ 132 mil (veja detalhes na pág. 2)

Prefeito é acusado de racismo contra professora e agressão a um jornalista

MÉTODO MILITARISTA

Rovélio teria chamado a professora Maria de Fátima de ‘negrinha’ e mandado espancar o jornalista Stuart Jr.

Coronel reformado da Polícia Militar, tendo atuado em Livramento (bairro de Peritoró) e Timon, o prefeito de São Mateus, Francisco Rovélio (PV), é acusado pela oposição de adotar no município um comportamento semelhante ao dos militares durante o regime de exceção que vigorou no país de 1964 a 1985. “Ele instalou em São Mateus uma política de intimidação inspirada na ditadura militar”, disse ao JP na Estrada Hamilton Nogueira Aragão, o “Miltinho” (PSB), que perdeu a eleição para Rovélio em 2008 por apenas 22 votos e é autor de todas as ações visando cassar a diplomação do prefeito.

Miltinho afirmou que Rovélio, além de comemorar suas reconduções ao cargo, depois das cassações, com provocações ostensivas aos adversários em suas próprias casas, também “mandou espancar um jornalista, exibiu uma arma para um comerciante e cometeu crime de racismo ao chamar de ‘negrinha’ uma professora da rede pública que é contra ele”.

Em relação a essa última acusação, o JP falou com a professora Maria de Fátima Lima Lopes, 36 anos, que confirmou a denúncia.

Segundo Maria de Fátima, o prefeito ficou irritado porque ela e um grupo de pessoas provocaram o adiamento de um concurso público para professor, em 25 de outubro de 2009, em razão de seus nomes não constarem na listagem apresentada no local da prova – a Escola Estadual São José, no povoado Piqui. Isso apesar de todos terem em mãos os comprovantes das inscrições, cuja taxa foi de R$ 60.

Devido ao problema, a data das provas foi transferida para 15 de novembro. Maria de Fátima contou que chegou às 7h na Escola Municipal José de Sena Rosa (Avenida Rodoviária, na sede), para onde foi designada, ocasião em que, inesperadamente, o prefeito Rovélio – que estava acompanhado por cinco seguranças – bateu em seu ombro e começou a dirigir a ela um rosário de ofensas.

“Baderneira”, “bagunceira”, “arruaceira” e “negrinha” teriam sido alguns dos termos usados pelo gestor contra a professora.

Depois de fazer a prova, Maria de Fátima registrou ocorrência na Delegacia de Polícia de São Mateus e denunciou o caso ao promotor da Comarca, Clodomir Bandeira Lima Neto. Nenhuma apuração sobre o caso foi determinada até agora, tanto pela polícia como pelo MP.

Agressão a jornalista – O jornalista e blogueiro Luís Stuart Júnior também acusa o prefeito Rovélio de truculência, neste caso agressão física, que teria ocorrido no último dia 3. Veja o que Stuart registrou em seu blog (jornalregionalma.blogspot.com):

“Durante uma palestra, na qual estavam o deputado estadual Tatá Milhomem, empresários e vereadores da base do prefeito, sr. Francisco Rovélio, mais conhecido como ‘Coronel Rovélio’, que comemorava mais uma volta ao cargo sob força de liminar (pela terceira vez), após o pronunciamento de lideranças políticas locais e a fala do deputado [Tatá], o ‘Coronel Rovélio’, ao ser informado de que estavam filmando seu discurso, deu a ordem: ‘ali, segurança, quem tá filmando, bate, quebra’. Dos mais de trinta seguranças, oito, usando camisas pretas com os dizeres ‘Anjos da Noite’, partiram para cima de mim com golpes de cassetetes e pontapés. A ordem foi dada em pleno palanque, no microfone, para que todos os presentes pudessem ouvir e ver. Quando eu simulei um desmaio, o ‘coronel’ disse: ‘Não precisa mais bater, pega só a câmera’. Foi só aí que a porrada parou e eu busquei proteção da polícia, que estava ali, a menos de 20 metros do ocorrido. Os seguranças levaram meu celular e ninguém foi preso. O Ministério Público Federal e o Conselho Nacional de Justiça acompanham o caso”.

DEMONSTRAÇÃO DE PODER

Nas carreatas em que comemorou suas três reconduções ao cargo – apesar dos sérios indícios de irregularidades no pleito de 2008 –, o prefeito Rovélio não se furtou à demonstração de poderio político e econômico, à moda dos antigos coronéis nordestinos. Na última celebração, além de se paramentar com o uniforme de coronel da PM (ele é reformado), trouxe de fora do estado dezenas de seguranças brutamontes – os ‘Anjos da Noite’ –, que dirigiam olhares mal-encarados aos ‘suspeitos’ de serem adversários do prefeito. Os ‘Anjos’ também distribuíram socos e pontapés num jornalista – Stuart Júnior – que cobria um ato de Rovélio.

SAÚDE POLITIZADA

Os hospitais de São Mateus abrem e fecham de acordo com os ventos políticos. De 2001 a 2004, na gestão da prefeita Ana Maria Nunes Correia de Castro (mulher do ex-deputado Geovani Castro), o hospital dela (Geral) era a casa de saúde ‘oficial’ do município. Hoje o hospital de Ana Castro está fechado. Só há o Pronto Socorro e Hospital Municipal de São Mateus, propriedade de Pentecoste Oliveira, marido da vereadora Katya Theresa Sousa de Oliveira (PT do B), aliada do prefeito Rovélio. Pentecoste recebe cerca de R$ 50 mil mensais de aluguel da prefeitura. Fala-se no município que a governadora Roseana Sarney já ofereceu recursos para a construção de um hospital estadual na cidade, mas Rovélio teria recusado a oferta, para não desagradar Pentecoste e Katya.

O diretor do hospital, Guilherme Salomão, afirmou ao JP na Estrada que a casa de saúde oferece um bom atendimento aos mateuenses e até a pacientes de outros municípios, como Alto Alegre. Mas, há cerca de quatro meses, o Ministério Público interditou a sala de cirurgia do hospital, que tinha excesso de mofo e umidade.

Justiça viu abuso de poder político e econômico de Rovélio

DEMISSÕES, CONTRATAÇÕES, DOAÇÃO DE CAMISAS E COMBUSTÍVEIS, COMPRA DE VOTOS...

Sete integrantes do Poder Judiciário já opinaram em desfavor do prefeito de São Mateus

Além dos juízes Mário Márcio de Almeida Sousa (comarca de Viana), Wilson Manoel de Freitas Filho (Bacabal) e Ana Gabriela Costa Everton (São João Batista), duas procuradoras eleitorais (regional e geral), uma promotora eleitoral e um juiz relator do TRE-MA deram pareceres condenatórios ao prefeito Francisco Rovélio Nunes Pessoa (PV), nos processos em que ele é acusado pela coligação “Frente de Libertação de São Mateus” – do candidato oposicionista Hamilton Nogueira Aragão, o “Miltinho” (PSB) – de irregularidades diversas durante o pleito de 2008. O prefeito teria contratado e demitido servidores no período vedado pela legislação eleitoral, distribuído combustível e camisetas com a cor e o número de seu partido (PV, 43) e comprado votos, entre outros ilícitos eleitorais.

A procuradora regional eleitoral Carolina da Hora Mesquita Höhn, opinou, em 25 de junho deste ano, pelo reconhecimento do abuso de poder político e econômico e captação ilícita de sufrágio por parte de Rovélio.

Em seu parecer, a procuradora escreveu que “efetivamente” o prefeito e sua coligação (“O Desenvolvimento Continua”) praticaram “abuso de poder político combinado com abuso de poder econômico”.

Abuso de poder político – Para Carolina da Hora, o gestor “abusou do poder inerente ao cargo que ocupava, uma vez que pressionou funcionários da prefeitura para que apoiassem sua candidatura”.

A procuradora cita um trecho do depoimento da professora Maria de Fátima Lima Lopes: “Os professores contratados eram obrigados a participar da campanha do candidato [Rovélio] sob pena de demissão; aqueles que não participavam eram demitidos e os pagamentos suspensos; tal fato se deu no município inteiro, pois vários iam até o banco e lá recebiam a notícia de que os vencimentos tinham sido suspensos; aconteceu esse caso com as professoras Eunice e Osenilda”.

A contratação por Francisco Rovélio de mais de 180 servidores municipais, somente no primeiro semestre de 2008, também é mencionada por Carolina da Hora como abuso de poder político, pois, segundo seu parecer, “teve como objetivo angariar dividendos eleitorais no pleito que se avizinhava” e “afrontou a lisura” das eleições.

Abuso de poder político – A procuradora igualmente viu procedência na acusação de distribuição irregular de cerca de 2 mil camisetas verdes com a inscrição 43 (número do Partido Verde, agremiação política à qual pertence Rovélio), além de combustível e dinheiro (3 litros e R$ 20 para motocicletas, e 7 litros e R$ 50 para automóveis) aos participantes das carreatas do prefeito.

“Salta aos olhos o abuso do poder econômico”, destacou Carolina da Hora, que lembrou a apreensão, por integrantes do próprio Ministério Público, de 48 camisetas, num posto de saúde, que estavam prontas para serem distribuídas pela mulher de Rovélio, Maria José Salomão Pessoa, a “Zezé”.

Maria José tem uma malharia na cidade, a Maximus, na qual, segundo os opositores do prefeito Rovélio, todos os alunos das escolas públicas são obrigados a comprar o fardamento escolar, pois só ela tem os emblemas das instituições.

Quanto à distribuição de combustível, o parecer do MP destaca os trechos principais do depoimento de Josevaldo Pereira dos Santos, frentista do Posto Mariana, de propriedade do prefeito, onde eram realizados os abastecimentos dos participantes das carreatas de Rovélio.

De acordo com Josevaldo, os abastecimentos eram coordenados pela tesoureira da prefeitura Geisa Câmara Mendonça. Ela verificava as notas, assinadas por Antonio Bogéa Fernandes (genro de Rovélio, casado com Shélyda Salomão Pessoa), Marcos Soares (outro genro do gestor, casado com Sâmia Salomão Pessoa), um certo Ivanildo e pelo próprio prefeito.

Compra de votos – A captação ilícita de sufrágio (compra de votos) por parte de Francisco Rovélio, denunciada pela coligação “Frente de Libertação do Maranhão”, também foi apreciada pela procuradora, que concluiu que o crime eleitoral foi “devidamente comprovado”.

Entre os depoimentos que solidificaram a prática do ilícito, foram citados por Carolina da Hora os de Deusanira Felix, moradora do povoado Laje do Curral – que admitiu ter recebido R$ 100 das mãos do próprio Rovélio, em troca de voto – e José de Almeida, do povoado Queimadas, a quem o prefeito deu R$ 50, segundo Almeida confessou. “Te dou R$ 50 para tu votar em mim e tirar o retrato do Miltinho da parede da casa”, teria dito Rovélio a José de Almeida.

Opiniões idênticas, na essência, às da procuradora Carolina da Hora foram emitidas por Maria Cristina Lima Lobato Murillo, promotora eleitoral da comarca de São Mateus, em 3 de março de 2010; Sandra Verônica Cureau, vice-procuradora geral eleitoral da República, em 1º de março de 2010; e Roberto Carvalho Veloso, juiz do TRE, em 12 de agosto de 2009.

Além de todas essas denúncias de irregularidades, há o caso de uma suposta fraude na urna eleitoral do povoado Juçareira, que corre num processo específico, ainda tramitando na Justiça.

Rovélio foi cassado por três juízes diferentes

As três decisões pela cassação do prefeito Francisco Rovélio Nunes Pessoa foram proferidas por juízes de outras comarcas (Viana, Bacabal e São João Batista) porque o juiz da comarca de São Mateus, Marco Aurélio Barrêto Marques, foi afastado pelo Tribunal Regional Eleitoral dos processos referentes às eleições de 2008 por suspeição. Ele também responde a processo sigiloso no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em 2009 e neste ano, o magistrado – cujo advogado, Ériko José Domingues da Silva Ribeiro, também trabalha para o prefeito – recorreu ao CNJ e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar retomar sua antiga atribuição, mas não obteve êxito.

Confira a cronologia das três cassações do prefeito Rovélio:

1ª cassação

Francisco Rovélio foi cassado pela primeira vez, juntamente com seu vice José Maria Teixeira Plácido (DEM), em 13 de abril de 2009, pelo juiz Mário Márcio de Almeida Sousa, da comarca de Viana. O magistrado, porém, manteve o prefeito e o vice nos cargos até a apreciação do recurso no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA). Em 15 de setembro de 2009, o recurso foi apreciado e, embora o relator Roberto Carvalho Veloso se manifestasse pela manutenção da cassação, o restante da Corte decidiu-se pela recondução de Rovélio e José Maria.

2ª cassação

A segunda cassação do prefeito de São Mateus e seu vice foi decidida pelo juiz Wilson Manoel de Freitas Filho, da comarca de Bacabal, em 27 de abril deste ano. O magistrado também mandou o presidente da Câmara de Vereadores, Antonio Carlos Montelo Sousa (PSC) assumir o cargo de prefeito. Rovélio novamente recorreu ao TRE e, em 30 de abril, o juiz José Magno Linhares Moraes “cassou a cassação” do prefeito e do vice e eles retornaram ao posto.

3ª cassação

A juíza Ana Gabriela Costa Everton, da comarca de São João Batista, foi a autora da terceira cassação de Francisco Rovélio e José Maria, em 27 de julho passado. Ela também determinou que o presidente da Câmara de São Mateus assumisse o cargo. Mais uma vez o caso foi parar no TRE e novamente bastaram uns poucos dias para que o juiz Magno Linhares reconduzisse o gestor e seu vice aos cargos, em 3 de agosto.

Sarney cassou o primeiro prefeito eleito do município

O povoamento de São Mateus começou em 1942, quando chegaram à região o piauiense Absalão Cândido Feitosa e outros quatro companheiros. Aproveitando as terras férteis e as excelentes pastagens do lugar, o pequeno grupo de pioneiros desenvolveu atividades voltadas para a lavoura e a pecuária, complementando sua subsistência com a caça e a pesca, aí encontrada em abundância.

Com a construção da BR-135, o povoado por eles fundado, no local hoje conhecido como Piqui, se expandiu para as margens da rodovia. A região, então, tomou grande impulso econômico, graças ao desenvolvimento do comércio e do setor de serviços, este em decorrência do tráfego de veículos de transporte de cargas e passageiros pela BR. Desmembrado de Coroatá e Bacabal, o município de São Mateus do Maranhão foi criado pela Lei Estadual nº 2.170, de 26 de dezembro de 1961.

Dos 15 prefeitos que o município teve até hoje – considerando-se um que foi nomeado, dois interventores e o presidente da Câmara, Antonio Carlos Montelo Sousa, que assumiu duas vezes no lugar de Francisco Rovélio –, três já foram cassados.

O primeiro prefeito de São Mateus eleito democraticamente também foi o primeiro a ser cassado. Marcos Antônio Pinheiro Neto assumiu a prefeitura em 10 de janeiro de 1963, mas em setembro de 1966 foi cassado pelo governador da época, o hoje presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP).

Pinheiro, que não apoiara Sarney na eleição de 1965, foi acusado pelo sarneysista Milton de Oliveira Curvina (que viria a ser o 5º prefeito de São Mateus) por um suposto desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), nunca devidamente provado. Sarney aproveitou-se da edição do Ato Institucional nº 3, editado em fevereiro de 1966 pelo regime militar, que dava amplos poderes aos governadores, e cassou Marcos Pinheiro tão logo recebeu a denúncia de Milton Curvina.

Francisco Moraes de Araújo também foi afastado do cargo, por improbidade administrativa. Ele assumiu a prefeitura em 15 de março de 1983 e teve de sair em dezembro de 1984, sendo substituído por seu vice, Getúlio Amorim Cardoso, que administrou o município até fevereiro de 1985.

Uma liminar reconduziu Francisco Moraes ao cargo e ele governou até agosto de 1988, quando o interventor Roberto Ferreira passou a ocupar o posto.

Veja a relação de todos os prefeitos de São Mateus e seus mandatos

1. Leandro Mendonça Nunes, prefeito nomeado (19.01.1962 a 10.01.1963)

2. Marcos Antonio Pinheiro Neto (1963 a 1966)

3. Acioly da Costa Nunes (1966 a 1969)

4. Adelson Paraguaçu Nina Brandão (1969 a 1973)

5. Milton de Oliveira Curvina (1973 a 1977)

6. José de Sena Rosa (1977 a 1979)

7. Vicente Martins da Silva (1979 a 1983)

8. Francisco Moraes de Araújo (1983 a 1984)

9. Getúlio Amorim Cardoso (1984 a 1985)

10. Francisco Moraes de Araújo (1985 a 14.08.1988)

11. Roberto Ferreira (interventor, 15.08.1988 a 09.12.1988)

12. Antonio Pinheiro Neto (interventor, 09.12.1988 a 01.01.1989)

13. Sérgio Luís Carvalho Pires (1989 a 1992)

14. Getúlio Amorim Cardoso (1993 a 1996)

15. Francisco Rovélio Nunes Pessoa (1997 a 2000)

16. Ana Maria Nunes Correia de Castro (2001 a 2004)

17. Francisco Rovélio Nunes Pessoa (2005 a 2008)

18. Francisco Rovélio Nunes Pessoa (2009 até hoje, com dois curtos períodos de cassação em que assumiu o presidente da Câmara de Vereadores, Antonio Carlos Montelo Sousa, do PSC)

CIDADANIA PERDIDA na sede e nos povoados de São Mateus

O JP na Estrada percorreu algumas das áreas mais desassistidas de São Mateus, como os bairros de Vila Brasil, Vila Barreto e os povoados Piqui, Floresta, Jiquiri e Juçareira. Na série de imagens mostradas a seguir, pode-se ter uma idéia da precariedade das condições de vida dos moradores dessas áreas esquecidas pelo poder público, onde a noção de cidadania parece ter ficado pelo caminho.

CURIOSIDADES DE SÃO MATEUS

Ao andar a pé em São Mateus, deve-se prestar atenção para não ser atropelado não por carros ou motos, mas por bicicletas. Para onde se olha, lá vem uma ou várias delas. Deve ser a cidade maranhense onde mais se trafega sobre duas rodas.

No povoado Timbaúba, acontece, todos os anos, de 20 a 30 de novembro, a festa de Santa Marçalina. A santa é venerada pelos moradores do povoado e até por quem mora na sede, apesar de não ser reconhecida pela igreja católica.

Os festejos de São Mateus, padroeiro da cidade, acontecem de 10 a 21 de setembro. É feita a novena na igreja de São Mateus e depois uma procissão sai pelas ruas centrais da cidade.

O tambor de crioula também tem muitos admiradores no município. O mais famoso é o de dona Joaquina.

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