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JP na EstradaO 'sobradão amarelo' ameaça desmoronar

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26 de junho de 2011 às 13:24

Dona do terceiro maior conjunto arquitetônico colonial do Maranhão (depois de São Luís e Alcântara), a cidade de Viana conservou quase intacta sua fisionomia tipicamente colonial até o início da década de 1980. Nos últimos 25 anos, no entanto, sobrados e casarões antigos (alguns revestidos de azulejos portugueses) desabaram pelo abandono dos proprietários ou foram colocados abaixo pelo próprio poder municipal.

O mesmo aconteceu com o outrora rico acervo sacro. Até os sinos da Igreja Matriz (fundidos em Portugal no ano de 1848) foram vendidos ao governo do estado, em 1982, pelo então bispo da Diocese de Viana, Dom Adalberto Paulo da Silva. A venda criminosa alcançou repercussão nacional na mídia da época e provocou a revolta dos vianenses.

Após tantas denúncias, o Departamento do Patrimônio Histórico, veiculado à Secretaria de Estado da Cultura, decidiu proceder ao tombamento da cidade, ocorrido em 1988. Mesmo assim, por falta de preocupação efetiva dos órgãos competentes, a cidade continuou a amargar o descaso e a dilapidação gradativa de seu patrimônio arquitetônico.

É o que está acontecendo com o famoso “sobrado amarelo”, localizado na Rua Cônego Hemetério, 244, no Centro Histórico de Viana. Revestido de autênticos azulejos portugueses e adornado por colunas de pedra de cantaria, o sobrado – popularmente conhecido como Fábrica Santa Maria – foi construído em 1843, quando a cidade vivia seu apogeu comercial, impulsionado pela produção do algodão, durante o chamado ciclo do “ouro branco” no Maranhão. O casarão abrigava um armazém de secos e molhados, além de máquinas de pilar arroz, de descaroçar algodão e de torrefação de café.

O comércio subsistiu até a década de 1980, quando fechou definitivamente suas portas. A partir daí, iniciou-se o processo de deterioração. Atualmente, depois de perder quase todo o telhado e parte de suas paredes internas, o prédio ameaça ruir.

Uma ação civil pública foi proposta em agosto de 2010 pelo promotor Raimundo Benedito Barros Pinto, da 2ª Promotoria de Justiça de Viana, contra a empresa A.O. Gaspar Indústria e Comércio Ltda (dona do imóvel) e o Estado do Maranhão, objetivando a recuperação do sobrado. (Redação, com informações da Ascom do Ministério Público Estadual)
 

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