Viana - passado, presente e futuroPor: Luiz Antonio Morais*
No final dos anos 1970, na pré-adolescência, como moleque que gostava de rua, eu já desbravava os quatro cantos da centenária “Rainha da Baixada Maranhense”, minha terra natal. “Rica pérola engastada nos adornos do Brasil”, como diz o hino vianense, Viana é uma cidade abençoada pela natureza, mas foi esquecida e abandonada pelo poder público.
Entretanto, parece que éramos felizes e não sabíamos. No romantismo que vivíamos, tínhamos uma herança cultural das mais pujantes do estado. Uma história rica e ilustrada por casarios revestidos com legítimos azulejos portugueses e forte cultura popular (entre elas, o Bumba-meu-boi, o Baile de São Gonçalo, festas religiosas etc.). Tínhamos também uma educação rígida, aplicada no ensino de muitas disciplinas por professores locais de alto gabarito, além de padres evangelizadores, procedentes do exterior, assim como os primeiros jesuítas, ansiosos para viverem a aventura de pregar em uma terra distante e alheia.
Sem esquecer do romantismo das serestas nas noites de lua, regadas a violão e goles de pinga. Tudo ainda pulsava compassadamente, no acalanto das histórias contadas pelos idosos.
Ainda podíamos correr e nos esconder nas matas fechadas do “Quebra-Coco” e do “Areal”; caçar passarinhos com gaiolas e alçapões de talo verde de pindoba, na ilha de Sacoã; empinar papagaios nos meses de forte ventania; tomar banho na beira do lago, sem risco da poluição e do lixo jogado, hoje, criminosamente, e também, por ignorância, nas águas do Maracu.
(*) Jornalista; trecho de artigo publicado em 2007, por ocasião dos 250 anos de Viana