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PolíciaOAB vai representar contra militares acusados de agredir estudante de Direito

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24 de janeiro de 2012 às 10:02

POR VALQUÍRIA FERREIRA

A Ordem dos Advogados do Brasil secção Maranhão (OAB/MA) informou que vai representar, nesta semana, pela punição aos três policiais militares acusados de torturarem o estudante de Direito Ângelo Rios Calmon, de 24 anos. As agressões denunciadas pela vítima teriam acontecido na última quarta-feira (18), quando o universitário estava na casa da irmã de seu padrasto, uma senhora identificada apenas como Anazilda, na Rua Nossa Senhora da Luz, no Bairro do João de Deus.

Foto: Alessandro Silva

Ângelo Calmon afirmou ter sido “torturado” por policiais militares

Durante entrevista coletiva, realizada ontem, na sede da OAB/MA, Ângelo Calmon contou que estava visitando sua tia, uma idosa de 80 anos, quando foi abordado por quatro policiais sob a acusação de que estaria escondendo drogas no interior de seu veículo, uma L-200, cor azul. “Eu neguei a acusação, no entanto, eles pediram para fazer uma revista no meu carro, mas pedi a identificação deles. Os militares apresentaram uma carteira funcional da PMMA, quando identifiquei somente a graduação soldado. Fui algemado e agredido por outro policial, com socos, empurrões e cotoveladas, coações morais e psicológicas”, disse o estudante e estagiário da OAB/MA.

A vítima falou que os policiais revistaram seu carro e não encontraram droga; e que um deles saiu do veículo e invadiu a casa da idosa, sem mandado de busca, onde também nada foi encontrado. O estudante disse que as agressões cessaram após os policiais localizarem, no interior do veículo, processos e a carteira de estagiário da OAB. O caso foi denunciado ao Comando da Polícia Militar, no Calhau, onde a vítima identificou três dos quatros agressores, no almanaque que contém fotos e dados dos policiais do Serviço de Inteligência (SI-PM).

Mário Macieira disse que a Ordem dos Advogados vai representar pela punição aos militares identificados pela OAB como 2° sargento José Ribamar Prisca da Silva, 2° sargento Evandro de Sá Sousa, e o cabo Edilson Mendes Soares. O quarto policial ainda não foi identificado. “A atitude tomada pelos militares é criminosa, estas pessoas cometeram crime e não deviam estar vestindo a farda da polícia Militar. Por isso, vamos representar para que esses policiais sejam punidos, e pelo fim do Serviço de Inteligência. A atribuição da Polícia Militar é reprimir, não é investigar, isso cabe à Polícia Civil”, declarou Mário Macieira, presidente da OAB/MA.

Luís Antônio Pedrosa, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB/MA, contou que contra o SI-PM existem seis representações por tortura, as quais viraram processos, e ainda que o 2ª sargento Evandro Sá de Sousa responde por dois processos criminais. “Não podemos aceitar que policiais que cometem crime de tortura continue trabalhando a serviço da sociedade. Recebemos denúncias de que esses militares sequestram pessoas para pegar depoimento, no entanto, o conteúdo deles não para no processo criminal”, destacou.

O estagiário Ângelo Rios Calmon cursa o 10° período de Direito, na Faculdade São Luís.

Violência contra advogados – O presidente da OAB/MA, Mário Macieira, solicitou à Secretaria de Estado da Segurança informações sobre casos de violência contra advogados. O assassinato da advogada Geysa Rocha Pires, e os casos de roubos dos quais foram vítimas os advogados Tufi Maluf Saad e Raimundo Florêncio Pinheiro. Tanto que enviou um ofício, na última sexta-feira (20), à SSP, a fim de marcar uma audiência com o secretário Aluísio Guimarães Mendes Filho, para tratar sobre episódios de violência a advogados maranhenses.

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