Até que enfim uma novidade: a faculdade dos senadores que é “entidade privada e sem fins lucrativos” está sendo investigada pela polícia.
Meu breve comentário é que tudo aconteceu devido as constantes greves da UFMA e UEMA, logo não demorou para que as universidades publicas entrassem em crise, dando abertura para que as faculdades particulares ganhassem o espaço que, antes, era disputado nas provas de conhecimentos e nos canetões.
O Maranhão possui tantos políticos influentes, ainda assim, não conseguiram fazer nada pelas publicas… Hoje em dia, a comodidade de ter um diploma depende praticamente de um bom contracheque, para se formar não precisa perder tempo, afinal, ” tempo é dinheiro”.

O “X” DA QUESTÃO
Por Franklin Douglas
Demorou, mas de tanta repercussão na blogosfera, a notícia ganhou também as páginas dos jornais: mereceu até editorial do jornal da oligarquia (Uniceuma, fraude e transparência – O Estado do Maranhão – 04/02/2012, p. 04), em defesa do Ceuma, claro!
Trata-se de investigação da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (Seic), conduzida pelo delegado Breno Galdino, onde se averigua esquema de alteração de notas de pelo menos 700 alunos do Ceuma. Reprovados, ou mesmo sem nem cursar a disciplina, apareciam aprovados após pagarem, a um técnico responsável pela informática da instituição, R$ 1.700,00, em média, pela fraude em cada nota. A velha máxima do “papai pagou, passou” comprovada no Centro Universitário dos Fecurys.
Associação de ensino superior, o CEUMA já é uma fraude em si mesmo. Ao povo maranhense, apresenta-se como exemplo de ensino privado, bem gerenciado, modelo de aprendizagem, onde há aulas, não tem greve e os alunos se formam no tempo estipulado. Comparações geralmente realçadas em relação à universidade pública (UFMA, UEMA ou IFMA). Mas é nos trâmites do Ministério da Educação que se conhece o CEUMA que não se tem notícia nos jornais ou propagandas em outdoors: “pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos” (parecer 457/2011-MEC/Conselho Nacional de Educação, p. 01).
Isso mesmo, a universidade privada CEUMA não tem fins lucrativos! Deve vir daí a justificativa para as mensalidades dos cursos do Ceuma serem tão baratas… e sem fins lucrativos, o que sobra mal dá para seus donos comprarem um jatinho novo!
Para além das ironias, contudo, o fato nos obriga a uma reflexão mais profunda.
É evidente que o CEUMA tem bons docentes, um corpo de funcionários dedicados e um amplo número de estudantes que, em busca de formação profissional, trabalham arduamente durante o dia para poderem pagar seus estudos à noite.
Inclusive, são minoria aqueles que têm dinheiro de sobra para pagar R$ 1.700,00 para fraudar uma nota. É essa minoria, e sua cultura do desleixo com o estudo, do patrimonialismo e do clientelismo, que frauda notas no CEUMA, mas também na UEMA, na UFMA (como já se toma conhecimento em blogues) e nas demais instituições privadas de ensino.
O Maranhão tem 493 cursos superiores distribuídos por 34 municípios. Desses quase 500 cursos, menos de um terço está vinculado a universidades públicas e efetivamente sem fins lucrativos. Em pequenas cidades que mal tem o Ensino Fundamental e o Ensino Médio é um sonho, as faculdades privadas de ensino à distância levam, por exemplo, cursos de Serviço Social a Formosa da Serra Negra, Pedagogia a Campestre do Maranhão, Administração a Lago do Junco. Uma verdadeira “revolução” no ensino superior!
Eis aqui, então, a questão: para além dos 700 fraudadores, o que o esquema de alteração de notas evidencia é a falência do modelo de ensino superior no País. Ao propagandear que distribuiu um milhão de bolsas do PROUNI, o governo federal faz um escárnio com a inteligência brasileira e a coloca sob a ojeriza daquele estudante que só está na faculdade por conta da bolsa.
Quem é contra um milhão de jovens acessando o ensino superior graças às bolsas do PROUNI? Veja toda a matéria clicando aqui: